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Entretenimento   06 de Junho de 2017 - Publicado às 09:07

Celebração em defesa da natureza

Alegria das Ganhadeiras de Itapuã no Parque das Dunas nesta segunda

"Nada melhor que celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente com educação e um ato em defesa desse patrimônio natural". A frase é de Jorge Santana, presidente da Universidade Livre das Dunas (Unidunas), organização não governamental que cuida do Parque das Dunas, reserva natural na Praia do Flamengo, e que é o último ecossistema de dunas, lagos e restingas totalmente conservado em Salvador.

Com seis milhões de metros quadrados e, desde 2014, com o título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), graças ao trabalho de educação ambiental, sustentabilidade e pesquisa científica, a área integra uma rede mundial de 680 outras reservas reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O ato realizado nesta segunda-feira, 5, teve como objetivo chamar a atenção para uma ameaça que vem do aeroporto de Salvador, situado a 34 metros do limite do parque. A empresa vencedora do leilão da Infraero, a francesa Vinci Airports, estuda construir nova pista de carga e descarga em área de dunas.

Jorge Santana revela que esta luta pela conservação já vem desde 2010, quando o governo estadual sondava o pesquisador com a ideia de ampliar o aeroporto.

"A Unidunas chegou a pensar em outra logística para o aeroporto e enviou um termo de referência (TR) ao governo, indicando outras regiões para receber um novo aeroporto, como as cidades de Feira de Santana e São Sebastião do Passé", lembra Santana.

Para quem pensa que o local não passa de um monte de areia, ele defende: "Preservamos vida aqui. As árvores, as dunas e as 12 lagoas ajudam a filtrar a salinidade de Salvador e a reter o calor da cidade".

Artistas

O ato público desta segunda, parte da campanha O Parque das Dunas É Nosso, foi regido pelo ator e apresentador baiano Jackson Costa.

Contou com uma programação diversificada, que incluiu um sarau, com a participação dos artistas Celo Costa, Flávia Wenceslau, Amadeu Alves, Ganhadeiras de Itapuã e Margareth Menezes, além de palestras e debates sobre a temática ambiental e a importância da conservação do parque.

Entre os palestrantes, o presidente do Instituto Elo (representando comerciantes locais), Charles Batalha; os professores Moacyr Tinôco e Ricardo Pereira; o secretário municipal de Cidade Sustentável, André Fraga; o presidente da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e representante da Unesco, Cleyton Lino; além do próprio Jorge Santana.

Lino ressaltou a importância do cuidado, não só pelo Parque das Dunas, mas por todo o meio ambiente. "Em 2016, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento de mata atlântica, com 12.288 hectares desmatados, cerca 207% a mais que no período anterior", lembra o especialista. "Foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa. É inaceitável. Precisamos saber quanto disso vem de desmatamento ilegal ou falta de fiscalização. Precisamos encontrar a causa desse problema e fazer de tudo para resolvê-lo", aponta.

O parque é uma importante opção de lazer e turismo ecológico na cidade. Possui ecossistemas litorâneos ameaçados, como restingas e dunas, e abriga espécies em extinção e endêmicas. Visitantes podem se deparar com falcões peregrinos, corujas, buraqueiras, jacarés, além de frutas da restinga, como o cambuí e a mangaba.

Visitas

Grupos de pelo menos cinco pessoas são acompanhados de um guia e um segurança nas trilhas. "Temos programas para todas as idades e que, sobretudo, têm foco na educação ambiental", explica Santana.

O professor administra o parque, por meio da Unidunas, com a ajuda de quatro funcionários fixos e voluntários, boa parte deles estudantes universitários que fazem pesquisas no parque para completar as horas exigidas pelas faculdades.


Fonte: A Tarde / Foto: Xando Pereira


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