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Entretenimento   06 de Abril de 2017 - Publicado às 10:36

Espetáculo Luzes da Boemia estreia no Teatro Vila Velha

O espetáculo traz ao palco atores formados pela Universidade Livre

Pela primeira vez encenado em Salvador,  o texto  Luzes da Boemia, do renomado  e controverso poeta, romancista e dramaturgo  galego  Ramón del Valle-Inclán  (1866-1936), contrapõe  o valor do artista e sua atividade poética  com  a decadência política e moral   de uma nação.  

A montagem, que inaugura o projeto  Teatro Épico na Bahia, estreia hoje no Teatro Vila Velha (TVV) , às 20 horas. A direção  é do equatoriano Santiago Roldós, que   desenvolveu  os ensaios da peça durante  residência artística com a Universidade Livre  do TVV. 

Trama

A história  narra as últimas horas de vida do poeta  Max Estrella, que gozou de um certo reconhecimento e agora,  já ancião pobre  e cego,   faz uma  peregrinação pelas ruas de uma Madri obscura e marginalizada, sempre  acompanhado pelo personagem Dom Latino de Hispális, o que faz lembrar o clássico Dom Quixote.

Durante sua peregrinação, o poeta  irá encontrar os diversos  personagens como  jovens artistas, prostitutas,  jovens de baixa classe social, jornalista, vendedor de livro, entre outros.  Para dar vida aos personagens multifacetados, 12 atores se revezam no palco.  

“Há muitos anos me apaixonei por este texto  que foi escrito em 1920 e continua atual  pois  traz questões  como o valor da cultura e da poesia, em um país em decadência”, afirma Roldós.

Visão distorcida

O  encenador equatoriano entrega  que o espetáculo  apresenta  distorção da realidade (o próprio Valle- Inclan teria   afirmado  que o sentido trágico da vida espanhola só pode mostrar-se com uma estética sistemáticamente deformada, o, que Valle-Inclan denomina  de esperpento).

Roldós acrescenta que a montagem não apresenta linguagem realista. Por outro lado, os personagens  lembram bonecos e há fusão de formas humanas e animais.    

O encenador informa também  que existe paralelismo  entre o personagem Max Estrella e sua história  com  a do escritor  boemio Alejandro Sawa, amigo do autor, que também neste texto se utiliza da caricatura e do grotesco. 

Contracultura

 A boemia, neste contexto, segundo Santiago Roldós,  deve ser vista como contracultura, como uma forma de resistência dos poetas  contra uma sociedade  que não reconhece o  valor da arte. 

A cenografia do espetáculo  traz poucos elementos: apenas  uma mesa, algumas cadeiras  e bancos. Gravuras do  pintor espanhol Francisco de Goya que utilizava o grotesco para satirizar a sociedade espanhola  serviram não apenas de inspiração para a encenação,   mas para ilustrar a identidade visual do espetáculo. 

Em  Salvador já foi montado o texto Divinas Palavras, de Valle-Inclan, com estrondoso  sucesso e direção de Nehle Frank na década de 1990.  


Fonte: A Tarde / Foto: Michelle Vivas


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